
A palavra distância começa a aparecer no nosso dicionário quando alguém, de quem gostamos, está longe. Contudo, existem mil e uma maneiras de falar ou pensar na palavra distância.
Porquê pensar nela quando os nossos partem? Porquê pensar nela quando o tempo passou? E porque não falar da distância que nos falta percorrer até à nossa meta?
Creio que pensar no tempo que ainda temos para percorrer até chegarmos à nossa meta faz desta pequena palavra algo de grandioso e assustador.
Penso na minha avó e vejo que ela já percorreu o caminho dela, cumpriu a sua missão, mas sinto que ela ainda tem muito por fazer pois a ideia de a perder assusta-me mais do que posso imaginar.
Penso nos meus pais e vejo que ainda há muita distância a percorrer até cumprirem a sua missão.
E eu?
Não quero pensar na distância que me separa dos dias de hoje até chegar ao meu objectivo. Assusta-me, receio todo o tempo e tudo aquilo que ainda tenho para fazer. O meu corpo estremece ao pensar nas rugas vincadas de sabedoria como as da minha avó, o chegar à idade dos meus pais e não ter cumprido grande parte do meu objectivo de vida.
Luto cada dia para que isso aconteça, pois a distância que me falta faz-me pensar que chegarei lá tão feliz quanto vocês o são. Assim será?
Depreendo que a palavra distância caminha lado a lado com a palavra medo.
Como alguém uma vez me disse, ter medo não significa nada, não nos impede de seguir em frente. Não mesmo?
Poderemos nós, eu e tu que lês, percorrer esta distância sem receio?
Eu quero lá chegar, e sentir que não tive medo. Será isso possível?