segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Distância


A palavra distância começa a aparecer no nosso dicionário quando alguém, de quem gostamos, está longe. Contudo, existem mil e uma maneiras de falar ou pensar na palavra distância.

Porquê pensar nela quando os nossos partem? Porquê pensar nela quando o tempo passou? E porque não falar da distância que nos falta percorrer até à nossa meta?

Creio que pensar no tempo que ainda temos para percorrer até chegarmos à nossa meta faz desta pequena palavra algo de grandioso e assustador.

Penso na minha avó e vejo que ela já percorreu o caminho dela, cumpriu a sua missão, mas sinto que ela ainda tem muito por fazer pois a ideia de a perder assusta-me mais do que posso imaginar.

Penso nos meus pais e vejo que ainda há muita distância a percorrer até cumprirem a sua missão.

E eu?

Não quero pensar na distância que me separa dos dias de hoje até chegar ao meu objectivo. Assusta-me, receio todo o tempo e tudo aquilo que ainda tenho para fazer. O meu corpo estremece ao pensar nas rugas vincadas de sabedoria como as da minha avó, o chegar à idade dos meus pais e não ter cumprido grande parte do meu objectivo de vida.

Luto cada dia para que isso aconteça, pois a distância que me falta faz-me pensar que chegarei lá tão feliz quanto vocês o são. Assim será?

Depreendo que a palavra distância caminha lado a lado com a palavra medo.

Como alguém uma vez me disse, ter medo não significa nada, não nos impede de seguir em frente. Não mesmo?

Poderemos nós, eu e tu que lês, percorrer esta distância sem receio?

Eu quero lá chegar, e sentir que não tive medo. Será isso possível?

4 comentários:

Rebirth disse...

Deixa-me ver se te faço sentido, pois aquilo que penso vale o que vale...
...eu nem sei exactamente onde quero chegar, talvez seja uma esquisitice minha, mas a minha meta eu vou definindo pelo caminho, conforme a vida me vai ensinando coisas e revelando segredos. Mas eu encaro o medo com tanta naturalidade que nunca estabeleci como objectivo meu chegar a lado algum sem nunca o sentir. Acho que não devo ter medo de ter medo... é o medo das consequências e do preço a pagar que me leva a seguir, em certos momentos, um caminho em vez do outro. Umas vezes resulta mal, mas outras resulta bem; é sobretudo humano. O medo, às vezes, pode ser vencido; mas não sempre.

Onde quer que eu chegue já não chego sem medo, já o senti... mas não vejo isso necessariamente como mau.

Bjs e boa noite...

Atikinom disse...

Olá, amiga
Li o teu texto e gostei muito.
deixo-te a recomendação do livro 'Não há longe nem distância'... vais gostar!
Bjka grd de quem está a uns kms de distância.

P.s. Obrigada por teres estado no meu blog ;)

borrowingme disse...

sonhadora,
sabes bem que essa palavra, o medo, não é das minhas favoritas... é uma espécie de religião minha, a de não querer sentir medo...
uma vez li que «deixarás de ter medo quando deixares de ter esperança»... talvez isso explique muito.

o medo faz de nós imprudentes...

Anónimo disse...

Não concordo, borrowingme, o medo não faz de nós imprudentes, bem pelo contrário. O medo faz-nos pensar, ponderar e decidir. A falta do medo, a impetuosidade e a irreverência fazem-nos dar passos bem pouco calculados. Pense nisto, verá que tenho razão...